13/12/2014
Etérea fantasia
Noites tão curtas
viradas ao léu
entre risos, conversas
suspendes ao céu
promessas que furtas
sonhos, palpites
escorregadiços limites
amargas ternuras
desejos de afeto
café dividido
carinhoso apelido
um teto, um luar
poesia com vinho
chocolate e amar...
08/12/2014
Vícios e virtudes
Num resquício de lucidez
a velhas nau,
mastros rasgados
furados cascos,
tomou-se do vício.
Navio fantasma
saído do cais
para onde jamais
voltará outra vez.
A ferrugem avança
corrói a insensatez
- Não, não tenha piedade!
só desfez e desfez
o que jamais outra vez
sobre o mar estará.
Pirata enlouquecido
quererá retomar,
embebido no vício
irá se envenenar.
O remédio para poucos
guardado está
- Não procures, não peças
já bastam promessas
não cumpridas atrás.
A nau já vai indo
está submergindo,
descansem em paz
fantasmas insanos
enrolados em panos
de um plano mordaz.
Na posta restante
uma carta enviada
selada, endereçada
aos "futuros amantes"
detalha o vício
alerta o precipício
informa o cais
- e nele o remédio
pra curar aquele tédio
de dias atrás.
A nau afunda
no infinito
no mar
no caos particular
afunda, não volta mais.
Os gritos calados
- abafais!
tresloucado pirata
com medalha de lata
- não terás ouro jamais.
06/12/2014
Se... assim seria...
Teria concretizado
um plano maluco
surgido outro dia
numa utopia
de viver feliz.
Compraria uma kombi,
pintaria umas flores,
roubaria uns amores
ou me deixaria roubar.
Anéis de miçangas
cabelos ao vento
pequenos nomentos
precisaria mais?
30/11/2014
Virada da lua
Me leve, leve
me ama, sem drama
na cama, na grama
me enrola na trama.
Não reze, não preze
assanha, abocanha
enrosca na entranha
com manha, estranha.
Não negue, me regue
me engana
com sua peçonha
esgana, arranha
amassa, abraça
disfarça, devassa
morra, renasça
e a gente sonha.
Me leve, leve
me doma, coma
depois toma
deixa aroma
no peito, no leito
amor liquefeito
sem preconceito.
Me leve, leve
arruaceiro, bandoleiro
bicho-de-carpinteiro
amor-perfeito
imperfeito
(in)suspeito
se jogue do parapeito
e me leve
não seja breve,
mas leve.
me ama, sem drama
na cama, na grama
me enrola na trama.
Não reze, não preze
assanha, abocanha
enrosca na entranha
com manha, estranha.
Não negue, me regue
me engana
com sua peçonha
esgana, arranha
amassa, abraça
disfarça, devassa
morra, renasça
e a gente sonha.
Me leve, leve
me doma, coma
depois toma
deixa aroma
no peito, no leito
amor liquefeito
sem preconceito.
Me leve, leve
arruaceiro, bandoleiro
bicho-de-carpinteiro
amor-perfeito
imperfeito
(in)suspeito
se jogue do parapeito
e me leve
não seja breve,
mas leve.
29/11/2014
Renascimento
Bebeu uns goles de poesia
recitou uns trechos de vinho
deu um sorriso de veludo
saiu com vestido carmim.
Desejou na igreja
prostrou-se na boate
suou no chuveiro
confessou-se na internet.
Tomou sorvete na farmácia
leu jornal no supermercado
comprou chicletes na banca
folheou revista no dentista
namorou na bombonière.
Chorou ouvindo piada
riu na hora do rush
deu uma flor ao pedinte
flertou com o moto boy.
Dormiu no cinema
assistiu o trânsito pela sacada
escreveu no espelho
e se olhou no papel.
Na poesia desenhada
no desenho escrito
e naquele nome grafado
rabiscado, rasurado
chorado, maltratado, amaldiçoado, envergonhado.
Não lembrou o futuro,
nem previu o passado.
Dobrou o tempo
e fez um aviãozinho de papel
- voou pela sacada.
Enfim, livre.
26/11/2014
Nada de mais, tudo demais
Olhou-se ao espelho e encarou aquela imagem que via, mas não sabia bem qual parte de si era. Avistou alguns fios de cabelos brancos, as primeiras marcas de expressões surgindo e disse: não há como fugir. Pobre garota... pensou que conseguiria? Não há jeito. Então, como saber? Como se pode saber? A toalha de banho, dependurada no box do chuveiro, balançou e ela sorriu sem muita certeza do que acabara de fazer. Olhou para a figura novamente e dessa vez o que viu foi uma redonda e amarela espinha no queixo. Quem era essa que ali estava agora? Espremeu a espinha e sorriu para as pupilas muito dilatadas: você é uma boba mesmo.
Janis Joplin sorria lindamente e seu cabelo, um pouco estranho para a época, chamava a atenção. Não, não era Janis Joplin, claro. Como poderia ser alguém que morreu? Não importava. A imagem que ela via era essa, esse era o real momentâneo. A garota sorria e um rapaz com colete jeans e bótons de bandas de rock sentado do outro lado parecia não se importar. Uma linda morena de cabelos encaracolados, saia esvoaçante e blusa caída aos ombros carregava Capitães de Areia, tentando entender algo em meio ao alvoroço. Era possível ver seu retorno inútil ao mesmo ponto e a movimentação ansiosa das páginas faltantes, querendo saber se chegaria ao fim da história naquele mesmo dia. Três adolescentes ouviam funk e a morena desconcertada lançava olhares de reprovação que sequer eram levados em conta. Uma senhora com sacolas de compras tentava se equilibrar e um gentil senhor, com talvez a mesma idade, ofereceu acento. Alguém gritou: Não somos bois! A frase ecoou por alguns segundos, mas em seguida foi substituída por risos e conversas simultâneas. Um papel sujo e surrado foi parar na mão de cada um: peço ajuda para alimentar minha família. A morena com o livro abriu sua bolsa colorida e ofereceu uma mão cheia de moedas, outros mais fizeram o mesmo, a maioria devolveu o bilhete olhando para o outro lado para não ver a vergonha refletida no semblante vazio e desarrumado que arrastava chinelos velhos, consertados muitas vezes e gastos quase ao fim, como sua própria vida. Um rapaz muito jovem contava sobre sua visita ao pequeno bebê de 28 semanas, mostrando a foto e balbuciando "tá indo". Exibindo um sorriso nervoso, olhava para os lados: vamos ver. Crianças pelas mãos subiam ou desciam desajeitadamente. Jovens vestidos de preto se abraçando e esquecendo a rebeldia de suas caveiras ao toque suave do beijo e dos braços largos a protegerem dos esbarrões e solavancos. Conversa nervosa ao telefone: já disse para você não me ligar! Você quer ferrar com minha vida! Um grupinho de jovens falava sobre coisas sem sentidos, cachorro e caixão, brincando de repeti-las até travar a língua. Riam ao embaralhá-las, achando graça ao entender errado, descreviam como queriam seus caixões, usavam seus celulares para pesquisar preços. Comparavam ao custo da cremação, segundo uma delas, seu último desejo. Alguém perdido perguntando onde está, outro bem localizado reclamando que não chegará nunca nesse ritmo. Palavras misturadas. Vidas misturadas. Odores misturados. Nada de mais, só mais um dia no ônibus.
Tudo demais. Saída do confuso emaranhado custou um pouco a ouvir novamente aquela voz do banheiro: como saber? Seguiu a passos rápidos, parecia que uma chuva forte se aproximava. O vento batia em seus olhos enchendo-os de poeira. Droga! Como saber? Era preciso andar de cabeça baixa, o vento continuava em redemoinhos. A rua mais longa, o refúgio mais distante. Pensou em como seria apenas se deixar levar, seguir até onde fosse possível. E depois? Não há fuga. "Não somos bois!". Não tinha certeza. Como poderia?
19/11/2014
Entre o fim e o começo
Acordei por volta de 6 da manhã (na verdade deveriam faltar uns 15 minutos para isso). Não foi o despertador que tocou, foi o dia que chamou. Abri os olhos e a falta da lente não me permitiu identificar muito bem o ponto brilhante no céu. Apertei bem... uma, duas, três vezes. Como durmo com a janela aberta (é apartamento e ela tem grades) eu ainda estava deitada quando vi a lua brilhando pelos últimos momentos nessa noite que já começava a se tornar dia. Fiquei observando a mudança gradativa na coloração do céu e o brilho do sol avançando lentamente.
Faça-se a luz - e a luz foi feita. Fiquei pensando: o que ocorreu no intervalo entre a escuridão e a luminosidade? Esse intervalo, ainda que ínfimo, existiu e nele algo ocorreu. Costumamos pensar nas situações do início ao fim delas próprias, sem considerar muito os entremeios- e são eles fundamentais.
Vejamos... O que acontece entre o fim de um relacionamento e o início de outro ou da decisão de seguir sozinho? Entre o fim da vida de uma pessoa querida e aquele momento em que precisamos ficar em pé e seguir firmes? Entre sair do ventre materno e respirar? Entre o fim de um ano e o começo do outro? O fim de semana e o começo da próxima? O fim da infância e o começo da adolescência? Da adolescência a vida adulta?, aliás, você se lembra quando se tornou adulto? - provavelmente não, porque não existem marcos físicos, são passagens simbólicas; por vezes prolongadas, lentas... outras vezes ocorrem em um abrir e fechar de olhos, mas sempre acontecem.
Nada é estanque, tudo está relacionado. Sim, eu também gostaria de poder dormir naquele momento em que a saudade bate, em que a dor dói, em que a tristeza chega... queria poder dormir e simplesmente acordar em outro momento, mais sereno, mais feliz, mais tranquilo. Entretanto, a passagem é necessária. Há um rio caudaloso no meio dos acontecimentos e não dá para se jogar nele se você quiser continuar vivendo. Existem pontes para as travessias, às vezes escondidas por um nevoeiro, mas estão lá. Um dia o nevoeiro se dissipa e, se você não desistir de procurar, as encontrará.
Pessoas são ponte, a arte é ponte, autoconhecimento é ponte. Entretanto apenas vê a ponte quem aperta os olhos para tentar um vislumbre do outro lado. Aquele que só olha para trás perde a visibilidade da cena. Fica atado ao que já foi, confuso por não saber mais o que é, perdido por temer o que virá.
Há sempre algo acontecendo nos mais singelos momentos. Ainda quando você dorme a vida não pára, e "o diretor segue seu destino de cortar as cenas", como cantou Ana Carolina.
Então... já que nesse longa metragem algumas cenas serão cortadas mesmo, é bom cuidar para não deixar marcas bruscas na montagem e produzir quebra no eixo. É bem provável que o enredo não siga aquele caminho inicialmente pensado, mas existem soluções de continuidade - e o resultado chega a surpreender!
É claro que ter consciência disso não nos deve impedir de viver à procura do “frame” perfeito, mas seria interessante começar a se perguntar o que é exatamente a perfeição. A obsessão por ser feliz também pode levar à infelicidade. Não há como viver só em bons momentos, mesmo em uma comédia há cenas mais sérias, por vezes quase dramáticas. Não há pureza nos gêneros. Não há pureza na vida. Lembremos de Pessoa: "Navegar é preciso; viver não é preciso". Sigamos sem medo, "o acaso vai nos proteger".
18/11/2014
"No meio do caminho tinha uma pedra"
A memória é uma coisa interessante mesmo, você está completamente vulnerável as peças que ela é capaz de lhe pregar.
Num belo dia, você está caminhando tranquilamente pela rua e passa alguém com o perfume que seu namoradinho da adolescência usava e... pronto! Você é teletransportada ao passado - se você fosse uma personagem de desenho animado sairia flutuando sentindo o cheiro, tentando alcançá-lo a todo custo.Curioso é que a pessoa com o perfume sempre está na contramão, o que torna o instante mais precioso, porque fugaz.
Dia desses lavei uns 10 pares de sapatilhas (minhas e de minha filha) e coloquei-as lado a lado escoradas na parede para secarem. Peguei uma tangerina e enquanto comia distraidamente os gomos e olhava para aquelas sapatilhas multicolores lá veio a memória com algo tirado do fundo do baú: lembrei-me de uma vez que comprei uma sapatilha azul, um amor, mas naquela época as sapatilhas ainda não tinham caído muito no gosto popular e a maioria se resumia a ser preta ou marrom.
Ser azul era algo totalmente ousado e inusitado - e eu adorei, mas a lembrança não veio assim, desse jeito que estou contando.
Ela aconteceu num rompante, sem aviso prévio, com a voz de um ex-namorado falando dentro de minha cabeça: e esse sapato azul? Eu ri ao lembrar minha resposta: pois é, pena não ser vermelho, pois eu seria a Dorothy e iria para Oz!
Passados meses de namoro ele nunca se acostumou, a cada vez que olhava meus pés ria e falava: e esse sapato azul? Eu não sei o que ele esperava que eu respondesse, nem se esperava algo. Fato é que eu comecei a rir olhando as sapatilhas coloridas - vermelha, cor de laranja, azul, cor de rosa, nude. Fiquei pensando o quanto essas cores todas teriam incomodado aquele antigo observador inconformado com a cor.
Legal é ver que os fragmentos de memória acabam ficando e os reincorporamos no presente. Há pouco tempo visitei uma grande amiga, daquelas de quase infância - nos conhecemos lá pelos 14 anos e até hoje quando vejo um gato de porcelana lembro-me do presente que ela me deu na festa de 15 e eu quebrei no mesmo minuto. Mas a memória que quero contar não é essa - é uma que veio da lembrança de uma das irmãs dela, infelizmente noutra dimensão há quase o mesmo tempo em que a memória existe.
Lembro-me de estar lá fazendo agenda, ouvindo música e lendo Capricho quando a irmã dela falou o quanto era importante que passássemos hidratante nos cotovelos, pois nenhum homem gostaria de estar passando a mão em nosso braços e encontrar uma pele toda áspera e dura nos cotovelos. Fiquei impressionada - nunca haveria de chegar a essa conclusão por mim mesma!
Ocorre que o tempo passou e esqueci-me do conselho recebido, ou pensei que dele havia esquecido. Pois então, visitando essa minha amiga, que agora mora em São Paulo, não sei porquê e nem como veio a voz da irmã dela em minha cabeça e falei: sabe uma coisa que sua irmã falou e me marcou profundamente? Claro que ela não lembrava, mas morremos de rir disso.
Aí pronto, virou o pano de fundo de todo o fim de semana que passamos juntas. Eu não tenho namorado porque ando esquecendo-me de passar hidratante nos cotovelos, claro. Saímos pra balada e lá chegando o namorado de minha amiga perguntou se tinha alguém para quem valesse a pena mostrar os cotovelos. Não, não tinha. Mas foi engraçado. Passeando de carro pela cidade me diziam para pôr os cotovelos pela janela. E pra completar ganhei um hidratante de presente dessa minha amiga. Se você quiser avaliar o grau de uma amizade basta analisar o quanto essa pessoa é capaz de zoar com você e ainda ser conseguir arrancar inúmeros sorrisos seus com a zoeira. E antes de viajar para vê-la eu sequer tinha ideia do que minha memória aprontaria comigo.
Recentemente reencontrei na internet uma pessoa que conheci uns 10 anos atrás e diante da incredulidade de que eu pudesse me lembrar de sua figura eu falei: lembro, sim. Lembro-me de seus olhos. Pronto. Claro que a pergunta imediata foi: meus olhos? Aí vai explicar porque que dentre tantas coisas possíveis e imagináveis a memória resolveu fotografar e guardar lá no fundo do baú o jeito como a pessoa olhava. Se eu fosse pintora ou desenhista seria mais fácil reconstituir isso que vejo tão claramente pela memória, mas como mal sei escrever, essa tarefa é um pouco mais complicada. Talvez ainda faça isso mais detidamente, com mais sensibilidade, mas numa conversa ficou vago, embora uma vaguidão específica.
A máquina fotográfica de nossos sentidos está sempre disparando flashes e não temos muito controle sobre ela. São cores, sabores, cheiros, vozes, texturas que estão armazenados e o reencontro com fragmentos semelhantes é o gatilho para um mundo de imagens, de informações, de sentimentos. Às vezes as memórias nos fazem chorar, outras nos fazem sorrir.
Assistindo a encenação da peça infantil "Vovô fugiu de casa", inspirada em livro de mesmo nome, eu não pude conter as lágrimas. O vovô da peça era incrivelmente semelhante ao meu pai, o vovô de minhas filhas - que não fugiu de casa, mas partiu para o outro lado há quase um ano.
A boina do personagem me deu a certeza de que poderia ser meu pai. Assim como todos os senhores de cabelo branquinho que vejo andando de ônibus e me reportam a Florianópolis quando minha filha mais velha ainda era bebê e papai e mamãe foram ficar conosco. Papai ia de ônibus comprar o que precisasse, para aproveitar que ele não pagava mais passagem. Ele fazia o mamá para minha bebê e só ele conseguiu fazer isso. Ela tomava com o maior gosto o mamazinho que ele preparava, chegava a estalar a língua. Quando eles voltaram ao Rio Grande do Sul ela não quis mais saber da mamadeira. Nem mesmo a receita que papai me passou resolveu - não era o mamá do vovô. Acho que ela pequenininha também trazia as memórias para o presente e as confrontava com a realidade e, diante da não-correspondência, recusava porque ela queria o vovô ali, pequenina que era não conseguia entender distâncias - se é que algum dia a gente consegue...
Há um dito segundo o qual "recordar é viver" e conforme a gente vai acumulando memórias vai vendo que essa é a mais pura verdade. Recordar não é viver no passado, nem viver de passado. Recordar é trazer as vivências e experiências, os sabores e os desgostos, as lágrimas e as felicidade, o prazer e a dor para o presente para torná-lo mais palatável, agradável, produtivo ou seja lá o que for. E é por isso que quero lembrar de tudo que puder e fazer o máximo possível para ter outras e mais e tantas e muitas lembranças no futuro, sejam elas agradáveis ou não.
Assim como disse Drummond um dia:
"Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
Assim como disse Drummond um dia:
"Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra"
no meio do caminho tinha uma pedra"
31/10/2014
Lítera - Domitila (Clipe Oficial)
Eita! Coube direitinho!!
(Conheci hoje, mas juro que foi inspirada em mim... rsrsrs)
♪♫ Ela sabe que se esforça a cada dia mais
e que suas manias são iguais
se for verdade um dia, fugir da rotina
e quem sabe mais...
e que suas manias são iguais
se for verdade um dia, fugir da rotina
e quem sabe mais...
Ela já não gosta dele como um tempo atrás
e decidir por ele tanto faz
quer se casar um dia, ter outra família
e quem sabe mais...
e decidir por ele tanto faz
quer se casar um dia, ter outra família
e quem sabe mais...
Ele não cresce no tempo dela
e ela sabe que precisa de um pouco mais
ela diz que busca nele um cara alto astral
que seja mais presente e coisa tal
que possa dividir, viver em paz. ♪♫
e ela sabe que precisa de um pouco mais
ela diz que busca nele um cara alto astral
que seja mais presente e coisa tal
que possa dividir, viver em paz. ♪♫
12/10/2014
Quanto mais irreal, mais real e quanto mais real, mais irreal

Depois de um dia com batata Dipz, esfirras Habib's, Coca Cola e Cinema com a animação "Festa no Céu" eu e Anne voltávamos para casa. Ao esperar o "Jardim do Lago" no terminal, um tubarão cor de rosa passou voando por nós. E ficamos olhando alucinadas para ele. A Anne comentou que o mais surreal (sim, ela usou essa palavra mesmo) eram os peixinhos felizes na barriga do tubarão, felizes por terem sido devorados. Ficamos olhando o tubarão rosa voar e voar a nossa frente até que ele se encontrou com dois trens e um Minion, do Meu Malvado Favorito. Naquela reunião de balões de gás, o Minion saiu voando como na cena do filme em que um deles levita ao beber um tônico. E olhando para aquele Minion super "real" subindo aos ares chegamos a conclusão de que quanto mais irreal, mais real e quanto mais real, mais irreal. Que belo fim para o nosso dia das crianças...
Mensageiro dos desejos

Fechávamos os olhos bem fechados, apertando firmemente. Desejávamos com toda a alma e todo coração. Inspirávamos tanto ar quanto fôssemos capazes e depois assoprávamos com muita força.
Diziam que o dente-de-leão quando assoprado levaria nossos desejos aos céus e os anjos e o universo inteiro então conspirariam para a realização deles.
Corríamos ao lado dos pequenos helicópeteros e continuávamos assoprando para que eles não caíssem e nossos desejos não se perdessem.
Olhávamos até perdê-los de vista, ou até a vista cansar de olhar para o infinito. No céu azul de nuvens brancas nossos desejos viajavam docemente. E nós acreditávamos e sonhávamos.
A curiosidade em saber o desejo dos outros era grande, mas o medo de que o desejo não se realizasse por conta disso era maior. Então guardávamos segredos, enviávamos desejos e mantínhamos sonhos.
Não era difícil esperar. Tínhamos todo o tempo do mundo - tempo é o que criança mais tem... e sonhos também!
Eu não me lembro mais das coisas exatas que pedia, mas lembro de que procurava não ser egoísta em meus pedidos - eu sempre queria a felicidade, a paz, a tranquilidade, a segurança, o bem estar para todos.
Julgava que se pedisse algo só para mim, Papai do Céu ficaria aborrecido e não deixaria os anjos e o universo me ajudarem.
Então eu queria ser solidária com todo mundo, porque era minha responsabilidade assoprar o dente-de-leão enviando bons desejos aos céus. A humanidade dependia de mim naquele momento tão pequeno de minha vida, mas de importância tão grandiosa.
Se hoje eu encontrasse um dente de leão e conseguisse acreditar com tanta convicção e firmesa como acreditei outrora, ainda não pediria só por mim. Na verdade tenho um bom pedido em mente caso eu encontre algum por aí.
E, como sempre, esse é o meu segredo. E que os anjos digam amém....
08/10/2014
Viva o Nordeste! - e basta de preconceitos!
Não sou nordestina, nem sou pobre. Já fui, já fomos pobres. Muito, muito pobres mesmo. Nunca fomos vagabundos ou acomodados como falam por aí sobre quem é pobre, mas mesmo trabalhando muito, batalhando muito, estudando muito... éramos pobres, continuávamos pobres e continuaríamos pobres se os rumos da política brasileira não tivessem mudado.
Não posso aceitar ideais de direita por esse simples motivo: sou do povo - sei o que é passar frio, sei o que é morar numa casinha muito simples, sei o que é comer feijão com arroz, sei o que é contar moedinhas pra comprar o pão e o leite, sei o que é ralar trabalhando o dia inteiro pra fazer faculdade à noite, cansada, com sono, com fome, com frio.
Sei pelo que vivi e pelo que vivemos, meus pais e meus irmãos todos - principalmente os mais velhos. Concordo que ainda falta muito, concordo que existem erros, concordo que precisamos melhorar - mas não se melhora andando pra trás, não se muda com o velho, não há inclusão pela exclusão.
Não sou pouco informada, FHC. Apesar de toda a pobreza imposta por quem sempre esteve no poder, nós sempre estudamos muito. Minha mãe fez duas faculdades e uma pós-graduação. Somos 10 irmãos que lemos, estudamos, nos informamos - somos doutores, mestres, especialistas, bacharéis, técnicos - apesar de você e sua turma.
Não sou nordestina, mas poderia ser porque não vejo diferença entre ser isso ou aquilo - somos todos humanos e deveríamos desejar o bem estar comum, não a perpetuação de uma elite rancorosa e cheia de ódio.
Não posso aceitar ideais de direita por esse simples motivo: sou do povo - sei o que é passar frio, sei o que é morar numa casinha muito simples, sei o que é comer feijão com arroz, sei o que é contar moedinhas pra comprar o pão e o leite, sei o que é ralar trabalhando o dia inteiro pra fazer faculdade à noite, cansada, com sono, com fome, com frio.
Sei pelo que vivi e pelo que vivemos, meus pais e meus irmãos todos - principalmente os mais velhos. Concordo que ainda falta muito, concordo que existem erros, concordo que precisamos melhorar - mas não se melhora andando pra trás, não se muda com o velho, não há inclusão pela exclusão.
Não sou pouco informada, FHC. Apesar de toda a pobreza imposta por quem sempre esteve no poder, nós sempre estudamos muito. Minha mãe fez duas faculdades e uma pós-graduação. Somos 10 irmãos que lemos, estudamos, nos informamos - somos doutores, mestres, especialistas, bacharéis, técnicos - apesar de você e sua turma.
Não sou nordestina, mas poderia ser porque não vejo diferença entre ser isso ou aquilo - somos todos humanos e deveríamos desejar o bem estar comum, não a perpetuação de uma elite rancorosa e cheia de ódio.
03/10/2014
Dia das crianças
Clima de dia das crianças no ar e a gente embarca nessa história de voltar no tempo e caçar memórias quase perdidas.
Olhando para essa garotinha loira do cabelo bagunçado e toda suja de terra, em cima do "trambolho" eu vejo o quanto ainda me pareço com ela. Não sou a pessoa que mais valoriza aparência no mundo, sou um tanto descuidada com essa tal coisa de moda e é provável que você já tenha me encontrado por aí com um belo par de havaianas, camiseta, shorts e cabelo amarrado sem sequer um batom na cara.
Cresci em meio a uma turma de 8 irmãos mais velhos e com uma irmãzinha mais nova a quem eu achava que deveria cuidar. E como se não bastassem meus irmãos todos, ainda tive um amigo imaginário chamado Paulício.
Brincávamos e brigávamos de todas as formas possíveis e imagináveis. Subíamos em árvores, puxávamos carrinho, jogávamos bola, brincávamos de boneca.
Eu me lembro de ser a Zizi, em apuros porque o Gato Gatuno, interpretado pelo Jorge, sempre queria me importunar, mas o Super Mouse, que era a Eloísa, sempre vinha para me salvar. Também me lembro de ter sido convencida não sei por quem e nem por que a subir o mais alto que eu pudesse em uma árvore - e de ficar chorando lá em cima porque tinha medo e não conseguia descer...
Fui proprietária de fazendas. Inúmeras fazendas. Primeiro localizávamos os gravetos para fazer a cerca, depois os quebrávamos cuidadosamente para ficarem do mesmo tamanho. Em seguida eles eram transportados na caçamba de um caminhão e, quando chegavam ao destino, eram firmados na terra com a ajuda de uma pedra. Se a terra estivesse muito seca, inventávamos um caminhão pipa e o problema estava resolvido. Feita a cerca, plantávamos qualquer coisa pra fazenda ficar verde e bonita. Depois a destruíamos, para ter o que fazer novamente no outro dia.
Tomávamos banho de chuva e soltávamos barquinhos de papel na correnteza. E corríamos ao lado deles até vê-los desmanchando na água.
Construíamos casa para gatos - na verdade mansões para gatos. Com muitas caixas - casas de vários pisos, com escadarias. E não entendíamos porque os gatos resistiam tanto em morar nelas.
Fazíamos casas para Barbies ou Susies, ou qualquer boneca - afinal o legal era só montar a casinha, a imensa casinha. Terminada a montagem, não entendíamos porque, acabava a graça.
Em dias de chuva éramos modelistas. Criávamos muitos modelos de roupas para nossas bonecas de papel. Passávamos a tarde desenhando, pintando e recortando roupas. Quando cansávamos das bonecas de papel, pegávamos agulha, linha e um belo saco de retalhos que buscávamos na costureira e fazíamos para "bonecas de verdade".
Ou então eu copiava receitas no caderno de receita, acho que peguei gosto pela cozinha assim - mais tarde comecei a testá-las incluindo pedidos de ingredientes na lista de compras que a mamãe fazia.
Fui professora antes de ser professora. Uma lousa de brincadeira, cadeirinhas arrumadas em fila, caixinha de giz que eu pegava da mamãe. Preparava aulinhas, fazia atividades, provas, caderno de chamada.
Fui Xuxa com dois rabinhos do lado da cabeça. Brincávamos de fazer o show, sabíamos todas as músicas de cor, reinventamos as Paquitas, o Praga, o Dengue.
Ficávamos hipnotizadas olhando o cirquinho que vinha junto com os discos de vinil da Turma do Balão Mágico - naquele tempo olhar algo colocado em cima de um disco que girava dava uma super ilusão de movimento e a gente viajava olhando a mesma imagem rodando infinitamente.
Tomávamos suco de vinho. Refrigerante de gengibre. Guaraná de garrafa misturado com chá. Ki-suco (e a língua ficava colorida uns três dias).
Fazíamos bolhas de sabão; peteca com sabugo de milho e penas de galinha; bate-bate com embalagem de Q-boa e sacos plásticos de leite. Parecíamos tatus cavando buracos na areia ou minhocas fazendo túneis.
Brincávamos de caça ao tesouro. Balançávamos-nos na rede quase até sair voando. Brincávamos de "se esconder" até altas horas da noite. Pulávamos elástico. Morríamos de medo do fantasma do "HZ".
Fazíamos comida de verdade em lata velha e enferrujada em um fogão de tijolo movido a qualquer coisa seca que queimasse - tivemos sorte em não morrer com o fogo ou com alguma bactéria.
Queimávamos bombril - rodando, rodando, rodando - era melhor que ver fogos de artifício!
Comíamos guabijú, amora (cê gosta de amora? vou contar pro teu pai que tu namora!), pitanga, ariticum e quebrávamos caroço de butiá - provavelmente comíamos mais tijolo que a minúscula amêndoa, mas quem se importava?
Queimei meu joelho ao erguer com um galho os pedaços de plástico queimado para vê-los caindo enquanto derretiam. Cortei minha perna com uma faca que ficou pra fora da sacola em um dos acampamentos que fizemos. Quebrei o nariz tomando banho de piscina de plástico na casa da vizinha. Quebrei meu braço correndo e quicando bola.
Com medo de me despedir da infância, aos 14 anos aprendi a costurar na máquina preta de pedal, uma Singer. Afinal, costurar roupas para bonecas não era exatamente brincar de boneca - ou era?
Então veio o magistério e, com ele, o primeiro estágio na creche Chapeuzinho Vermelho - e achei que não pegaria bem se a professora brincasse com as mesmas coisas que os alunos brincavam. Então larguei as bonecas - um pouquinho tarde para os outros, mas não para mim.
Aos poucos os gostos foram mudando e a Xuxa e o Balão Mágico ficaram para trás. De repente outras vozes passaram a dar sentido aos dias - Engenheiros, Nenhum de Nós, Rosa Tattooada, Legião Urbana. De repente outros gostos, outros amigos, outros sonhos.
De repente a garotinha dos cabelos loiros não era mais loira, nem andava mais de "trambolho". De repente ela foi obrigada a crescer, mas não muito porque afinal de contas é sempre bom poder andar de cabelo despenteado com cara de quem tá nem aí... ou nem aqui....
25/09/2014
"Coisas que eu sei"
Vivemos buscando coisas grandes, que nem cabem em nossas mãos. E, em muitas das vezes, não damos a devida importância aos pequenos momentos que fazem nossos dias mais encantados. Não são grandes eventos, na sua totalidade, que restarão em nossas memórias; são coisas pequenas, como gestos, cheiros, texturas, chistes. Sabe aquele sorriso que brotou quando você não esperava? Aquele abraço dado de surpresa? Aquele perfume maravilhoso que você sentiu em alguém que simplesmente passou por você? São coisas assim que ficam. São coisas assim que nos dão saudade. Por mais importantes que sejam os grandes feitos de nossas vidas, são aqueles pormenores que nos tornam dignos de existir e que fazem com que as coisas que seriam passageiras se eternizem. Tenho saudade de muita coisa pequena, de muito pormenor, de muito detalhezinho, de muito fragmento... porque não sou inteira, mas mosaico em (re)construção. E volta e meia essas lembranças evocadas retornam de um outro jeito, com uma outra cara, com uma nova cor. E eu as colo novamente, porque ressinignificadas estão. E as deixo ficar, e as contemplo e brinco e rio com elas, como se experimentasse de novo e outra vez aquelas mesmas sensações de outros tempos atrás...12/09/2014
Eu, inquilina de mim
Mora no sótão uma de cabelos branqueando
e no porão a garotinha.
Em algum lugar obtuso
a mau humorada, resmungona.
Enrolada em teia de aranha
para meu próprio pavor
aquela que é meio estranha
pitadas, poções e amor.
A que gosta de abraçar
beija de olhos fechados
muito tímida para dançar.
A que só bebe água,
a viciada em coca-cola,
a que adora caipirinha.
Tem mãe, filha, irmã, tia, sobrinha, madrinha.
Batom carmim,
cara lavada,
cabelo assim-assim...
Loira, ruiva, morena.
(os óculos não saem de mim)
Um dia MPB, outro rock
porque até o papa é pop.
E quando os pensamentos falam demais?
Beethoven, Mozart, Chopin
E quando as emoções falam demais?
Um bar, café, um chopinho.
E quando parece que não vai dar...
Abraço, sossego e carinho.
Claustrofóbica, já quero sair
Tanto faz pra onde for.
E logo quero voltar
pros braços de meu amor
(aquele que a gente inventa)
Que age feito criança
rolando na cama agarrado
Brincando de luta
"Tá amarrado".
Até que volta a vontade
de largar tudo, correr
mergulhar em um pote de sorvete
beber até adormecer.
Salto alto ou sapatilha?
Dizem que tênis é démodé.
Pés descalços para dirigir
(nunca haverá finesse nas havaianas em mim)
Não sou global.
Nunca vou ser.
Já andei um bocadinho
por aqui e por ali
Eu ou elas, como saber?
Mulheres são complicadas
Quem convive, sei bem...
Arrumar uma casa
uma alma cheia delas
uma vida emaranhada
não sei como é que se faz.
Tantos gostos e desgostos
paixões, amores, alvoroços
sossegos, complascências, solidões.
Eu vejo Capitu, Sofia, Macabéa.
Molly Bloom, Tristessa, Emma Bovary
(até Hermione já encontrei por aqui!)
Úrsula Iguarán, Alice, Dorothy
(e os sapatos vermelhos!)
Julieta Capuleto
No fundo, do fundo, do fundo...
Talvez um pouco de Luísa
Uma pitada de Helena e Isaura,
Iracema, Lucíola e Aurélia.
Sem esquecer da face Rita Baiana...
Tantas e tantas, essas e outras, aqui e além
principais, secundárias, figurantes
mulheres que habitam em mim
Que vivem, revivem, reviram, fervilham
Somos eu
Sou tantas
Até o dia em que serei Annabel Lee
e ninguém mais...
13/08/2014
"Humano, demasiado humano" (Friedrich Nietzsche)
O fato é que a vida acaba. O ciclo chega ao fim. Para uns mais cedo, para outros mais tarde. De maneira trágica ou apenas embarcando em um sonho sem fim.Todos morreremos, não deveríamos nos surpreender com isso (mas nos surpreendemos!).
Quando participou do Jornal Nacional ontem Eduardo Campos, nem no pior pesadelo, imaginaria o que o dia de hoje lhe reservaria. Tantos compromissos, tantas agendas, tantos assessores, nada impediu que a morte o levasse. E mesmo assim as pessoas se surpreendem: mas eu o vi ontem no telejornal, não pode ser - mas pode ser, sim.
A fragilidade da vida deve servir para que a valorizemos, pois não há como prever quando será a última vez que desligaremos o interruptor de luz, quem será a última pessoa que veremos, qual a última palavra ou canção que entrará em nossos ouvidos.
A brevidade da vida exige que percebamos essa nossa condição passageira e procuremos dar o melhor hoje; que possamos fazer felizes as pessoas que amamos hoje; que procuremos respeitar, cuidar, zelar, proteger hoje. O amanhã... quem saberá?
A par de todas as possíveis diferenças ideológicas deveria haver mais respeito com a dor de todas as famílias que hoje choram por aqueles que foram sem poder dar adeus - evitando piadas grotescas ou teorias absurdas de conspiração.
Somos humanos, demasiado humanos - mas certos comentários e posicionamentos nos desviam dessa já tão simplória condição.
Quando participou do Jornal Nacional ontem Eduardo Campos, nem no pior pesadelo, imaginaria o que o dia de hoje lhe reservaria. Tantos compromissos, tantas agendas, tantos assessores, nada impediu que a morte o levasse. E mesmo assim as pessoas se surpreendem: mas eu o vi ontem no telejornal, não pode ser - mas pode ser, sim.
A fragilidade da vida deve servir para que a valorizemos, pois não há como prever quando será a última vez que desligaremos o interruptor de luz, quem será a última pessoa que veremos, qual a última palavra ou canção que entrará em nossos ouvidos.
A brevidade da vida exige que percebamos essa nossa condição passageira e procuremos dar o melhor hoje; que possamos fazer felizes as pessoas que amamos hoje; que procuremos respeitar, cuidar, zelar, proteger hoje. O amanhã... quem saberá?
A par de todas as possíveis diferenças ideológicas deveria haver mais respeito com a dor de todas as famílias que hoje choram por aqueles que foram sem poder dar adeus - evitando piadas grotescas ou teorias absurdas de conspiração.
Somos humanos, demasiado humanos - mas certos comentários e posicionamentos nos desviam dessa já tão simplória condição.
06/08/2014
Se for pra falar de amor... que seja de verdade!
Eu não sei porque nunca consegui guardar o número do Tam fidelidade em algum lugar que eu lembre. Cada vez que vou comprar uma passagem pela Tam é o mesmo suplício para localizar o dito número. E, para piorar, são dois números - o outro nem lembro qual é, mas sei que são dois. Então eu tenho que abrir uma conta de e-mail do Yahoo - que também não uso mais e só por preguiça não excluí. E se não uso mais, também não lembro a senha. E se não lembro a senha dá pra imaginar todo o calvário até obtê-la novamente.
É, eu sei, seria muito mais fácil comprar sem o tal número, mas tenho preguiça de preencher todo o formulário de novo e, por incrível que pareça, acho mais fácil procurar a senha de um e-mail que não uso para depois localizar um número entre uma porção de e-mails inúteis (porque para lá só vão aquelas coisas super legais de promoções, divulgações, e sei lá quê mais).
Então inciei minha jornada e quando consegui entrar no antigo e-mail, eis que esbarrei em uma mensagem que me deixou curiosa - dizia que eu tinha duas mensagens de amigos em uma rede que eu nem lembrava de ter feito cadastro um dia.
Então, curiosa que sou, resolvi abrir o tal e-mail. E, de fato, eu tenho um perfil lá. Hahaha. Um perfil que devo ter feito enquanto engatinhava nessa coisa de redes sociais e internet. Do tempo que ainda usávamos Icq - mas como ele ressuscitou, vai saber o que mais não voltará com ele...
De "todos" os seis amigos que tenho na tal rede, dois aguardavam aceitação há uns quatro anos. Uma das mensagens que me fez chegar até lá era de uma de minhas irmãs perguntando "e ai, o que é que a gente faz aqui?????" - sinto muito por ter deixado ela no vácuo tanto tempo, mas acho que também não teria ajudado em nada. A outra mensagem foi enviada por uma ex-aluna, em 2011 "Feliz Natal....Bjão". Que chato, nunca correspondi aos votos. A mais engraçada de todas, contudo, foi deixada por alguém que tem a cara do Will Smith: "Tenha um bom dia e que Deus ilumine teus caminhos, os meus teu sorriso já está me iluminando juntamente com sua beleza, parabéns." Nada a declarar sobre isso porque a coisa se complica quando Will (dois comentários já me dão certa intimidade, sabe? rsrs) comenta em uma foto minha "O Melhor de todos os remédios primeiramente é o amor, juntamente com um lindo sorriso, e uma Linda Mulher de óculos...bom dia ...".
Tudo bem, eu assumo a culpa. Afinal de contas o que quer dizer "Situação Amorosa: estou no meu caminho"??? Que caminho? Como assim? Que situação amorosa é essa? Certas coisas deveriam ser proibidas de ser ditas. Ainda bem que o tempo anda a nosso favor. Eu nem me reconheço nessa frase, devo ter saído do meu caminho em algum ponto desses anos todos.
Quanto as frases do Will... bem elas são bonitinhas, meigas e tudo mais, mas sabe qual é o problema delas? Sinto cheiro de falsidade no ar ou de frases prontas copiadas de algum site brega ou de algum para-choque de caminhão. Não que eu não goste de ouvir coisas do tipo, mas seria mais legal se eu ao menos soubesse quem é Will Smith porque essa coisa de dizer que o dia está mais feliz por causa de meu sorriso poderia ser dita por alguém que acordou ao meu lado ou que ao menos já chegou perto disso. Eu, que nem sou atleta, corro longe de gente que debulha frases românticas desse jeito porque elas são amor em pó - pronto para ser usado a qualquer momento, com qualquer pessoa, de qualquer jeito. É tipo café solúvel. Fácil, prático e insosso.
Eu achava que a coisa mais detestável era quando a pessoa perguntava sobre o clima. Odiava quando, na falta de assunto, o outro vinha com perguntas do tipo "tá frio aí?", "choveu?", "tá calor?" ou me passava uma informação super útil como "nossa, aqui tá chovendo muito", "tá um calor insuportável". Mas esse passou a ser o segundo assunto na lista dos "tópicos insuportáveis para uma conversa". O primeiro, o primeiríssimo lugar vai para as conversas de "amor em pó", "amor enlatado" ou "caldo de amor". Tem coisa mais sem graça do que uma pessoa que você nem conhece dizer que "trocaria a eternidade por um momento com você" (sim, já li isso também :{). Podem achar que sou insensível, mas é o contrário. Adoro falar de amor, mas de amor verdadeiro.
Adoro falar de coisas que não são aquele amor chavão, mas fazem parte da grande ideia implicada no conceito de amor. Gosto de pessoas que sabem falar de livros, filmes, músicas, lugares, gentes, cores, cheiros, sabores. E isso, para mim, é falar de amor. E termino essa história com Frejat : "Pode ser que eu gagueje sem saber o que falar. Mas eu disfarço e não saio sem ela de lá" : melhor gaguejar e ser autêntico do que falar aparentemente bonito e soar nitidamente forçado. Se for pra falar de amor... que seja de verdade!
PS1: Pra provar que sou romântica essa letra é linda e a animação é a mais maravilhosa do mundo!
PS2: Preciso achar um jeito de apagar o tal perfil na tal rede, mas não sei nem como! Aff!
PS3: Nem achei o número ainda, nem comprei a passagem. Procrastinação - a gente vê por aqui!
01/08/2014
"Eles passarão. Eu passarinho" (Mário Quintana)
O menino encontrou abrigo em cima de uma árvore e estava sobre ela há uma semana. Só que ele é pobre e, para piorar, ele é negro.
Ele não fez nada que pudesse ser classificado como ameaça, a não ser pela descarada ousadia de exibir sua humilde existência aos moradores classe média.
Por precaução, acharam melhor agredi-lo. Sugeriram uma solução muito sábia para expulsá-lo: cortar a árvore.
Tudo é válido para que do interior da bolha não se veja um edredom furado e um menino pobre que tem a ousadia de invadir o espaço que dá acesso ao templo do consumo.
Ora, mas que desaforo o desse menino... não bastasse existir ainda tem um livro de mágicas e quer ser passarinho!!! Francamente...
31/07/2014
"Eu não mando mais em nada / Sei que é alto mas eu vou pular" (Agridoce)
"Mãe, você picou alho?", perguntou minha filha mais nova assim que começou a mexer a panela após meu pedido. "Sim", eu disse. "Mas picou alho de verdade?". "Sim". "Mas tem alho picado pronto, no pote. É mais fácil". "É, mas não é alho de verdade, não tem cheiro de alho, não tem gosto de alho, é um arremedo de alho". "Arremedo? Que é isso?". "É imitação". "Hum, mas o alho do pote não foi feito com alho?". "Sim, foi. Mas para não estragar foram acrescentados alguns conservantes e outras coisas que a gente nem sabe direito o que são, então até é alho, mas não tem o mesmo sabor do natural". "Hum, entendi. Mãe, posso ir?". "Pode".
Enquanto eu terminava de temperar a lentilha que havia cozido para o almoço, continuei a pensar na conversa sobre o alho e em quantas coisas a gente aceita a imitação, mesmo sabendo disso. Aceitamos ser enganados e fingimos que gostamos. Café solúvel é um exemplo. Duvido alguém gostar de verdade de café solúvel. A não ser que essa pessoa jamais tenha tomado café antes, o que é pouco provável. Mas a gente compra café solúvel, "pras emergências", pra não coar só uma xícara de café, pra quando está apressado. E pior do que comprar, a gente toma o café solúvel. E toma até mesmo em dias de domingo, em que se teria todo o tempo do mundo pra coar um delicioso café - de preferência com o coador de pano, daquele jeito que nossas avós faziam (e nossas mães, antes da invenção da cafeteira elétrica).
Se tem uma coisa que o alho e o café tem em comum é o cheiro. Tem coisa mais gostosa do que estar/chegar em casa e sentir um cheirinho de alho no ar, de comidinha feita com amor? Ou do cafezinho feito na hora, com um aroma que envolve e atiça? A satisfação está na mobilização dos sentidos, quantos mais... melhor. E um ingrediente que não pode faltar quando se trata de comida/bebida é o cheiro. O cheiro que faz falta nas suas versões arremedo. Você coloca o dito alho em pasta ou em pedaços a fritar e ele exala um cheiro cítrico, porque ficou embebido na solução para não estragar. Você coloca o café solúvel e ele não tem cheiro de nada. É bom pra comer com isopor junto. Ótima combinação.
Trocamos os sucos naturais pelos de caixinha (que não têm nada de naturais ou saudáveis) ou de pacotinho; os temperos pelos caldos de carne, galinha, picanha, camarão, legumes... Compramos mistura para bolo em pacotinhos e fazemos bolos de cenoura, maçã, limão, laranja - sem usar uma fruta ou legume sequer! E o que eu acho mais bizarro ao ler as embalagens da maioria dos alimentos: pode conter traços de nozes, amêndoas, amendoim.
Hahaha, não basta não ter praticamente nada do que deveria ter, ainda tem que ter traços de uma coisa que nem deveria mesmo estar lá? E como assim? Uma amiga uma vez disse: como que os traços vão parar lá? alguém esbarra e... oops, foi mal... melhor advertir na embalagem que pode ter traços de amendoim, nozes, amêndoas. (Tá bom, eu sei que tem a ver com as esteiras que transportam os produtos nas empresas, mas não deixa de ser bizarro.)
E de repente a gente está tão acostumado a ser enrolado, a comprar gato por lebre, a comprar uma torta que deveria ser Floresta Negra, mas você encontra coco no meio e, enfim, resolve deixar pra lá porque cereja e coco são quase a mesma coisa - ou não são?
Será que ainda saberemos distinguir os sabores naturais dos arremedos de sabores? Outro dia comprei caquis e, quando os comi, eles não tinham semente. Sabe o que isso significa? Que foram modificados. Geneticamente modificados. Tudo feito sob a aparência bonita de que, enfim, vamos produzir em quantidade e qualidade para reduzir a fome no mundo. Conversa fiada, pois a fome é problema político, não de falta de alimentos. E nós compramos essa balela toda porque é mais fácil comer melancia, caqui ou uva sem sementes - mesmo que a facilidade venha junto do aumento no uso de glifosato.
Em nome da facilidade, da praticidade, da rapidez e em função da correria do dia a dia, das jornadas exaustivas de trabalho, do atropelo da vida acabamos por aceitar essas mudanças. E aí chega um ponto em que temos o arremedo tomando conta de tudo.
De repente você nem ama aquela pessoa com que você está, mas ela está ali ao lado, é fácil. Então você se acovarda e não procura o verdadeiro sabor - será que ainda sabemos qual é?. Talvez você nem goste de seu trabalho, mas é o que você tem... pra que procurar por outro? É mais fácil continuar. Algumas vezes os limites do seu bairro, cidade, estado ou país são sufocantes, mas e daí? É mais fácil do que cruzar as fronteiras e descobrir que pode ir além delas que se fizeram nos seus pensamentos, nas suas crenças, nas suas verdades prontas e engarrafadas. Fáceis, mas sem graça, sem cheiro e sem sabor.
Sei lá. Às vezes acho que parecemos hamster rodando, rodando, rodando. Como viemos parar aqui?
29/07/2014
"Não sou atriz, modelo, dançarina / Meu buraco é mais em cima" (Rita Lee)
A polêmica da estética não é nova, mas volta e meia um novo tsunami aparece. Tenho visto muitas matérias em revistas, sites, blogs e páginas do face que se ocupam de abordar isso. Algumas horas antes de ver a crônica do Estadão "Plus size é muito mais fun", li outra matéria sobre o calendário da Pirelli que, pela primeira vez na história, abrirá espaço para modelos plus size. Li também em uma página aplausos às modelos não-anoréxicas. E li os comentários de muita gente dizendo que não se combate anorexia com obesidade (interpretação é realmente um problema!) e muitos (homens) dizendo "bom, tudo bem que não exista um único padrão, mas existe o meu padrão" (santa ingenuidade, Batman!). Também soube que o noivo da Preta Gil precisou se justificar a uma internauta que (pasmem!) quis intimidar o moço dizendo esperar que ele não seja mais um em busca de fama (felizmente ele foi inteligente e soube responder à altura!).
É claro que existe um ponto muito importante a ser considerado quando se coloca em discussão o peso de uma pessoa: a saúde - mas esse é o único ponto realmente importante. É tão estúpido imaginar que uma pessoa não possa ser feliz com 10 kg a mais, quanto dizer que aquela que tem 10 kg a menos não tem inteligência. Estereótipos nunca são bons, por isso são estereótipos.
Espero que o Plus Size ou a Gordelícia não se tornem os novos estereótipos do momento e que as pessoas possam ser olhadas por algo que vá um pouco além da aparência física e dos padrões estéticos (irreais) que nos são impostos.
24/07/2014
A mulher dos sonhos
Uma coisa que acho curiosa é como nossas ideias, pensamentos ou sentimentos parecem ser captados pelas pessoas e circunstâncias que nos circundam e acabam retornando a nós como se fosse um bumerangue. Estou falando daquela antiga sensação de que a letra da música que está tocando na rádio se encaixa perfeitamente na sua história de vida, mas você está no trânsito e nem pode anotar um trecho para pesquisar depois quem foi o ser que lhe plagiou. Ou aquele filme de Hollywood que, no fundo, só pode ter sido inspirado em algum rastro que você deixou em algum lugar, tamanha a coincidência. Ou ainda aquela identificação física e psicológica incrivelmente inexplicável com a personagem chorona/ louca /apaixonada /má /ingênua /mesquinha /traiçoeira /boazinha /justiceira da novela global.
Desde que eu inventei de falar de sonhos, nunca mais eles me deixaram. As frases surgem de todos os cantos, com todas as cores, assinadas por todo tipo de gente. Quase suspeito que os sonhos nasceram a partir do momento em que eu falei deles...
Foi numa tarde quente de fevereiro, muito quente, quente demais. Eu estava há um mês morando em Rio Preto e tanta coisa havia acontecido naquele começo de ano que não fazia dele a melhor experiência que já tive. Estava conversando com uma amiga por um messenger, ambas enfrentando uma situação parecida. Reclamamos juntas, juntas xingamos aos deuses, resmungamos juntas, juntas quase choramos. Enfim, juntas resolvemos sair para matar o leão do dia, separadas apenas por uns três mil quilômetros.
No final da tarde, estávamos ambas novamente conectadas para falar do enfrentamento da situação e eu comecei falando "Ah, eu tava aqui sem saber como resolver. Aí pensei, pensei e pensei. Saí. Fui lá para fazer o que poderia fazer, já que a expectativa tinha sido frustrada. Em 24 horas tive que mudar todos os planos, refazer todos os cálculos, reprojetar tudo... aí cheguei a uma conclusão." Ela, que estava ansiosa para também resolver a sua própria situação, perguntou: "qual?". "Foda-se. Simples assim. Mandei tudo para o espaço, entrei numa padaria. Tinha uns sonhos lindos no balcão. Comprei dois. Comi um já. O outro guardei para depois."
Rimos muito daquilo, eu tenho uma mania de mudar o rumo da conversa sem dar seta. A pessoa jura que vai ouvir algo muito sério e inteligente, mas eu resolvo fazer graça, sei lá. Já ouvi mais de uma vez as pessoas falarem que tenho humor sério. Não sei.
A partir daquele dia que resolvi comprar dois sonhos e deixar os problemas de lado, os sonhos não me deixaram mais na mão. Como disse, eles vêm de todos os lados. Virei uma colecionadora de sonhos. E minha amiga passou a me chamar de "Mulher dos sonhos". E também passou a encontrar sonhos por todo canto, em todo lugar, em cada esquina.E passamos a trocar e compartilhar os sonhos que encontramos no caminho.
Hoje, logo que acessei o facebook encontrei esse poema na página "Paradoxos"

Logo depois foi a vez de Carpinejar dizer: "Objetivos são para preguiçosos. O sonhador é aquele que segue andando mesmo quando já chegou". Na página "O escritor de sonhos" (que passei a seguir depois daquele dia de fevereiro, obviamente): "Os pássaros ganharam as asas. Ele ganhou os seus sonhos". E, mesmo quando os sonhos não estão explícitos, eu os vejo. Ontem compartilhei com a minha amiga essa tirinha, acompanhada da frase "ou sonhos..."

O comentário dela? "Sonhos! Com certeza que seriam sonhos!". Qual música ouvi ontem? Engenheiros "Somos quem podemos ser. Sonhos que podemos ter." Dois dias atrás, a última postagem que vi antes de dormir foi de Leminski: "A vocês eu deixo o sono. O sonho, não. Esse, eu mesmo carrego". Um dia antes, um post de autoria desconhecida "A matéria prima do século XXI são os sonhos". No final se semana passado fui assistir peças teatrais. Onde? Na Fábrica de Sonhos.
E eu poderia seguir enumerando todos os sonhos que passaram por mim nesses 5 meses, mas assim que voltei a minha página do face, uma atualização do Roupa Nova me fez mudar de ideia: ♫ Só te peço o brilho de um luar. Eu só quero um sonho pra sonhar. Um lugar pra mim ♫. - Continuarei em busca de novos sonhos para minha coleção... Avante, sonhadores!
21/07/2014
E daí que ela é formada em Letras?
Sendo formada em Letras (quase 3 vezes, se contar a graduação, mestrado e o doutorado) fica meio difícil não me manifestar sobre a "notícia" dos últimos dias: "Formada em Letras, garota de programa narra em livro experiência com alta sociedade"; "Formada em Letras, Lola Benvenutti vai além da web e lança livro para falar de sua vida como garota de programa", "Formada em Letras, garota de programa lança livro sobre sua experiência sexual com a alta sociedade"; "'Me pedem até autógrafo', diz garota de programa formada em letras".
De todas as "notícias" que li a única coisa que identifiquei como relativa a área de Letras foram menções às tatuagens que Lola fez em seu corpo.
"Nas costas, a jovem tem um verso de Manuel Bandeira tatuado: "...dizer insistentemente que fazia sol lá fora". No pulso esquerdo, uma frase João Guimarães Rosa: "Digo: o real não está na saída nem na chegada. Ele se dispõe para a gente é no meio da travessia". Leia mais em: http://zip.net/bkn5JK
No mais, ela é uma garota de programa comum, nenhum motivo para grandes estardalhaços. Aliás, a história dela é quase a mesma de Bruna Surfistinha, com a diferença de que Lola ainda vive o "auge" dos 15 minutos de fama. Lola não gosta de ser comparada à Bruna.
“Eu nunca quis ser a Bruna. As pessoas são diferentes, não sou melhor ou pior que ela. Me irrita essa comparação”. Leia mais em: http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2013/05/me-pedem-ate-autografo-diz-garota-de-programa-formada-em-letras.html
“Eu nunca quis ser a Bruna. As pessoas são diferentes, não sou melhor ou pior que ela. Me irrita essa comparação”. Leia mais em: http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2013/05/me-pedem-ate-autografo-diz-garota-de-programa-formada-em-letras.html
Como falava ontem com uma amiga, também formada em letras, cada um faz o que quer com seu corpo, mas acho que a partir do momento em que optou por ser garota de programa, Lola perdeu um pouco do que supostamente chama de liberdade. Acho que se ela vivesse sua sexualidade apenas porque gosta, sem definir valores, aí talvez estivesse sendo livre. Penso que o fato de cobrar pelo ato e colocá-lo numa relação de consumo e escala de valores a torna sim um objeto. Não consigo ver a liberdade de que ela fala, acho uma posição muito contraditória para se discutir esse tema.
“Meus celulares tocam o dia inteiro, recebo 400 ligações por dia. Gente do Brasil inteiro me dando parabéns e várias demonstrações de carinho. As pessoas me reconhecem na rua e me param para pedir autógrafo. Ganhei até livros e já tenho mais de 5 mil curtidas no Facebook. Minha caixa de e-mail está lotada, já estou até pensando em contratar uma assessora”, disse Lola. Leia mais em: http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2013/05/me-pedem-ate-autografo-diz-garota-de-programa-formada-em-letras.html
Muito bem lembrado pela minha amiga é o fato de que a escala de valores nesse caso é tão evidente que uma das coisas que é sempre ressaltada quando se fala dela é a sua formação superior - como se as outras prostitutas sem formação superior valessem menos (e, claro, a formação dela agrega valor ao que ela faz).
O número de clientes dobrou, passando de uma média de cinco para 10 por dia. Lola admite que aproveitou para reajustar o valor do programa em 40%. “Tive que subir um pouco o valor pela demanda, mas prefiro fidelizar o cliente. Leia mais em: http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2013/05/me-pedem-ate-autografo-diz-garota-de-programa-formada-em-letras.html
Minha amiga disse também que concorda que a liberdade sexual não é isso e que infelizmente, a mulher que é livre sexualmente ainda é tomada socialmente como puta, vagabunda (com a diferença que não cobra pelo sexo que faz)... E estamos bem longe, beeem distantes de tal liberdade... Completou seu raciocínio pontuando que "se para ser livre sexualmente toda mulher precisar cobrar pelo sexo que fará, jamais haverá liberdade nisso... Agora, acho válido ela dizer que é prostituta, porque assim quis ser e não ficar justificando a sua escolha dizendo que foi maltratada em casa ou coisa assim... Embora, há casos e casos de mulheres que viram na prostituição uma forma de ter acesso "a uma melhor condição de vida".
Penso que o grande ponto de discussão não é o fato de ela ser prostituta, isso é assunto dela. Acho apenas discutível o ponto de vista sob o qual Lola pretende falar de liberdade sexual, pois acredito que o posicionamento dela só contribuiu às avessas na discussão desse tema.
Resumindo, no meu ponto de vista, Lola apenas reforça os já tão grandes preconceitos e tabus relativos à sexualidade feminina. Não vi nada de novo ou interessante sob o sol....
Resumindo, no meu ponto de vista, Lola apenas reforça os já tão grandes preconceitos e tabus relativos à sexualidade feminina. Não vi nada de novo ou interessante sob o sol....
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